As ações da Adidas atingiram queda superior a 7% no começo do pregão nesta quarta-feira (30), na Bolsa de Frankfurt, depois que as vendas do segundo trimestre da marca de roupas esportivas ficaram abaixo das expectativas e ela alertou que tarifas mais altas nos EUA adicionariam cerca de 200 milhões de euros (US$ 231 milhões) aos custos no segundo semestre.
Destacando o impacto das políticas comerciais voláteis do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Adidas disse que pode ter que aumentar os preços nos EUA e que a incerteza a impede de elevar suas projeções anuais.
“Ainda não sabemos quais serão as tarifas finais nos EUA”, disse o diretor-presidente, Bjorn Gulden, em comunicado. “Também não sabemos qual será o impacto indireto sobre a demanda do consumidor caso todas essas tarifas causem grande inflação.”
Para adidas revisará seus preços e decidirá em quais produtos poderá aumentar os valores nos EUA assim que as tarifas forem finalizadas, disse Gulden a jornalistas em uma teleconferência, recusando-se a dizer quanto os preços poderiam subir.
“Vamos tentar manter os preços dos modelos conhecidos (estáveis) o máximo que pudermos e, então, faremos novos preços em produtos que ainda não existiam”, disse ele.
Como vendas da Adidas, ajustadas pelas variações cambiais, cresceram 2,2%, para 5,95 bilhões de euros (US$ 6,9 bilhões) no trimestreabaixo da estimativa média de 6,2 bilhões de euros dos analistas, segundo dados compilados pela LSEG.
O déficit provavelmente alimentará temores de que, após uma sequência de crescimento muito forte nas vendas, impulsionada por seus tênis da moda Samba e Gazelle, com três listras multicoloridas, a Adidas esteja perdendo força.
“Para que os investidores vejam isso como um revés temporário, a empresa precisará apresentar uma mensagem tranquilizadora sobre as perspectivas para o segundo semestre e o livro de pedidos do início de 2026”, disse o analista do UBS, Robert Krankowski, em nota a clientes.
Os EUA anunciaram, no início deste mês, uma taxa de 20% sobre muitas exportações do Vietnã e uma tarifa de 19% sobre bens da Indonésia – OS dois maiores países fornecedores da Adidasque produzem, respectivamente, 30% e 23% dos produtos vendidos nos EUA.
As importações de calçados para os EUA já enfrentavam tarifas antes de Trump, e as novas taxas significam que as tarifas sobre calçados vindos do Vietnã subiram para 46%, de 26%, e da Indonésia para 43%, de 24%, disse Gulden.
Como muitas outras empresas de roupas esportivas, incluindo a Puma, a Adidas tem antecipado o envio de produtos para os EUA antes da entrada em vigor das tarifas, aumentando seus estoques em 16%, para 5,26 bilhões de euros, no final de junho.
A Adidas também enfrenta um dólar mais fraco e um yuan chinês mais fraco, que impactaram as vendas em cerca de 300 milhões de euros no trimestre encerrado em junho.
O lucro operacional trimestral chegou a 546 milhões de eurosacima das expectativas dos analistas de 520 milhões, e a margem bruta aumentou 0,9 ponto percentual, para 51,7%graças à redução de descontos e aos menores custos de produtos e fretes.
A Adidas disse que as receitas da linha “estilo de vida” — de tênis e roupas casuais — cresceram 13%impulsionadas por versões com estampa de vaca, estampa de leopardo e metálicas de seus tênis SL72 e Samba. Uma colaboração de produtos com o grupo de rock Oasis para sua turnê de reunião também impulsionou as vendas, disse Gulden.
Fonte: Nossos parceiros
