Apenas no ano passado, golpes e fraudes digitais causaram prejuízos de mais de R$ 10 bilhões aos consumidores brasileiros — um aumento de 17% em relação ao período anterior, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O cenário tem se mostrado especialmente desafiador para pequenas e médias empresas: ainda de acordo com a instituição, o país registrou um crescimento de 43% nas contestações desses crimes feitas por PMEs.

A necessidade de ampliar a adoção de mecanismos de prevenção e proteção também é reforçada por estudo da PwC que mostra a presença de iniciativas de cibersegurança entre apenas 3% dessas companhias. A incorporação das questões de segurança às estratégias de negócios ganha ainda mais relevância frente à intensidade de uso de canais digitais bancários entre empreendedores — diferentemente das pessoas físicas, clientes PJ acessam plataformas de internet banking de maneira mais recorrente e diversificada, abrindo mais espaço para ataques de diferentes modalidades.

Na visão de Renato Mansur, diretor de canais digitais para PMEs do Itaú Empresastrata-se de um tema que está diretamente ligado à saúde financeira e à capacidade operacional das instituições. “Quando pensamos em segurança contra fraudes, o primeiro ponto — e talvez o que mais configure um impacto significativo para o empreendedor — é a proteção de patrimônio. Mas, muitas vezes, os golpes abalam o fluxo de caixa do negócio, prejudicando seus planos, pagamentos de contas, tributos e até de funcionários”, afirma.

Entre os tipos de ataques mais frequentes, Mansur destaca o uso de engenharia social para emitir certificados digitais falsos, permitindo que fraudadores acessem sistemas fiscais e bancários em nome das companhias. “Isso pode resultar em prejuízos financeiros significativos e até mesmo na manipulação de informações fiscais para criar créditos fictícios. Além disso, o uso de inteligência artificial por criminosos tem aumentado a sofisticação e o alcance dos golpes, dificultando a detecção e a prevenção”, explica.

Renato Mansur, diretor de canais digitais para PMEs do Itaú Empresa — Foto: Divulgação
Renato Mansur, diretor de canais digitais para PMEs do Itaú Empresa — Foto: Divulgação

As demandas por novas soluções de cibersegurança vêm sendo impulsionadas pela digitalização de operações realizadas por PMEs. O Itaú, por exemplo, registrou um recorde de pequenas e médias empresas utilizando os canais digitais do banco no ano passado, com 87% dos clientes acessando o internet banking e o app mensalmente. Hoje, 94% do chamado daily banking é realizado em meios online.

“Com o aumento das transações nos canais digitais dos bancos, estamos cada vez mais atuando na proteção dos nossos clientes por meio das novas funcionalidades, uso de dados e tecnologia de ponta. Continuaremos trabalhando constantemente para fortalecer nossos sistemas de segurança e conscientizar o empreendedor sobre as melhores práticas de prevenção e defesa”, explica Mansur.

A combinação entre a ascensão de movimentos de transformação digital e a escalada de crimes virtuais vem redefinindo o papel da cibersegurança na lista de prioridades de PMEs. Entre as principais abordagens de proteção, Mansur destaca o treinamento de equipes, os investimentos em tecnologia, a criação de diretrizes claras de gerenciamento de dados, além de planejamentos estruturados de gestão de riscos e contingências (saiba mais sobre esses itens no boxe abaixo).

As ações realizadas incluem a criação de um hub de segurança, integrado ao app do Itaú Empresas, que centraliza funcionalidades de iToken, autorização de dispositivos e reconhecimento facial. O aplicativo também passa a abrigar sistemas voltados para aumentar a transparência, o controle e a agilidade das transações financeiras. Duas funcionalidades piloto apoiarão o empresário a ter maior gestão sobre sua segurança no próprio app: o ajuste de limites, por exemplo, permite que o cliente altere diretamente o máximo de transferências para fornecedores e consulte o histórico de mudanças. O controle de acesso de dispositivos, por sua vez, auxilia na busca por logins dos usuários.

As funcionalidades fazem parte de uma estratégia geral baseada em três pilares: prevenção, com uso de tecnologias avançadas de autenticação e campanhas de educação e conscientização; detecção, incluindo a aplicação de soluções inteligentes de validação de transações; e remediação, a partir do apoio na recuperação de valores fraudados, políticas de ressarcimento adequadas e cooperação com ações de investigação e repressão.

Entre todas essas frentes de combate, o monitoramento das transações é feito em tempo real por 50 sistemas de inteligência artificial focados em segurança, que identificam padrões anômalos e bloqueiam ataques avançados. O portfólio de tecnologias também reúne plataformas de machine learning que auxiliam uma equipe dedicada à operação de segurança para clientes do banco.

Fonte: Nossos parceiros