Parcerias público-privadas (PPPs) e mecanismos financeiros de gestão de riscos são essenciais para expansão global de projetos em prol da agenda climática. A análise é Juan Parodi, diretor de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele fez a observação durante o evento “SB COP: o papel do setor privado na implementação do Acordo de Paris”, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), e realizado hoje na capital fluminense.
Parodi reconheceu que escalar, de forma expressiva, empreendimentos em prol da proteção ao meio ambiente ainda é um desafio. No entanto, ponderou que a meta não é impossível, e pode ser concatenada com alguns elementos-chave.
O primeiro deles é a união de esforços entre poder público e iniciativa privada. Ele explicou que o setor público é fundamental para definir bases e os fundamentos do crescimento, incluindo apoio fiscal relevante, incentivos e acordos, federais e municipais, nesse sentido. Já o outro elemento-chave seria contar com o setor privado. A iniciativa privada conta com diferentes mecanismos financeiros, bem como capacidade de lidar com diversos graus de risco, no andamento dos projetos, notou.
O BID tem feito sua parte, nessa meta, informou o especialista. “Estamos desenhando a partir desse ano iniciativa que chamamos internamente de ‘Originate to Share’”, informou.
Ele lembrou que o BID conta com três vertentes. O BID público, que é braço que financia setor público em países da América Latina e Caribe; o BID Invest, que atua no setor privado, focando em operações exclusivas para este segmento; e o BID Lab, um braço de inovação, venture capital, e operações menores.
No caso do BID Invest, do qual Parodi faz parte, esse braço do banco adotará postura de originar volume maior de projetos já estruturados para serem financiáveis. Esses projetos serão desenvolvidos com propósito de serem compartilhados com o mercado, em vez de serem retidos na carteira do BID Invest, disse.
Assim, continuou ele, o banco, como instituição multilateral, tomará alguns riscos maiores para mobilizar e incentivar entrada de outros investidores. Nessa linha de ação, explicou ele, o plano é desenvolver projetos de maior porte e com maior potencial de escala, sempre com objetivo de atrair parceiros e fundos externos.
Parodi diz que a intenção do banco é levar esse debate à COP30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, prevista para novembro em Belém. Para ele é vital, no momento, discutir como desenvolver e expandir mais projetos inseridos dentro da agenda climática global. “Escala é o nome do jogo agora”, resumiu.
O evento realizado hoje é ligado ao grupo Sustainable Business COP30 (SB COP), aliança global, criada no ano passado, durante COP29, no Azerbaijão, liderada por Confederação Nacional da Indústria (CNI) e formada por empresas, instituições e parceiros estratégicos de todo o mundo.
Fonte: Nossos parceiros
