O reajuste na conta de luz e o aumento nos preços das passagens áreas tornou o mês das férias escolares desafiador para as famílias paulistanas fecharem as contas. Em julho, a inflação registrou alta de 0,47%, e, ao longo desse ano, o acumulado alcançou 3,27%, segundo o levantamento Custo de Vida por Classe Social (CVCS), produzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nas informações do IBGE.

Segundo a Fecomercio-SP, mesmo com a aceleração registrada em relação ao mês de junho (0,21%), as pressões inflacionárias foram pontuais e não representam tendência. Se o grupo de habitação — impulsionado pela alta na energia elétrica — fosse desconsiderado, a variação geral teria sido próxima de 0,10%.

Para Fabio Pina, assessor da FecomercioSP, esse cenário é considerado positivo, com preços mais baixos e sem sinais de alerta no curto prazo, o que, segundo ele, alivia o bolso do consumidor, especialmente em relação aos gastos com supermercado, e abre espaço para despesas do dia a dia e o pagamento de dívidas.

“Teve um pequeno repique em julho, mas a tendência é não continuar”, afirma. “Com isso, a inflação começa a ficar mais controlada, apesar de o indicador estar acumulado acima de 5 pontos nos últimos 12 meses.”

O levantamento aponta que o grupo de habitação foi o principal responsável pelo aumento do custo de vida com elevação de 2,08%. Em consequência do reajuste de 14% aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o serviço prestado pela Enel Brasil, a energia elétrica subiu 10,6%. As famílias de menor renda foram as mais afetadas: a variação para a classe D, foi de 2,65%, e para a classe E, de 2,37%. Por outro lado, para a classe A, a variação foi de 1,11%.

As passagens aéreas também afetaram no custo de vida, com seu aumento de 13,6%, refletindo na alta de 0,67% no grupo de transporte. Também registraram alta os ônibus interestaduais (5,1%) e o pedágio (2,9%), mas aliviando um pouco a pressão do grupo houve quedas da gasolina (-0,4%), do óleo diesel (-0,9%) e do etanol (-1,3%). Considerando por faixa de renda, houve uma discrepância com alta de 1,26% para a classe D, enquanto para a classe B foi de 0,43%.

Em ritmo de desaceleração nos últimos meses, o grupo de alimentos e bebidas registrou alta de 0,10%, porém tem acúmulo de 9% — o maior entre os grupos — nos últimos 12 meses, pesando no bolso dos consumidores. As famílias de renda mais alta sentiram mais essa pressão, com a elevação de 0,35% para a classe A, contra 0,01% para a classe D.

Essa discrepância, diz Pina, se deve a alimentação fora do domicílio que aumentou 0,47%, em contraste com a queda de 0,15% nas compras tradicionais de supermercado. Os alimentos com maior aumento fora de casa são o café (2,9%) e o lanche (1,9%). Entre os itens com quedas, destacaram-se a batata-inglesa (-21,5%), a cebola (-14,9%), o feijão (-2,2%) e as frutas (-0,73%).

“A inflação não vai deixar de pressionar”, projeta o especialista. “É importante inflação em queda, porque quando se repõe (por meio de ajuste salarial) a inflação passada, o poder aquisitivo aumenta.”

Entre os produtos com maior alta, além dos já mencionados, o jogo de azar foi responsável por um dos maiores aumentos de julho, com 11,2%, em função do reajuste do valor da aposta da Mega-Sena, principal fator para a alta de despesas pessoais (1,02%), junto com cinema (2,82%). Seguido por produtos de grupos variados como mamão (9,86%) e cheiro-verde (2,75%), produtos para pele em saúde (3,57%) e conserto de automóvel (2,94%).

Já registraram queda artigos do lar e vestuário (-0,97%), influenciada pelas quedas de microcomputadores (-4,3%), roupa de cama (-2,3%) e televisores (-0,6%). Todas as faixas de renda beneficiaram-se da queda média de preços. No grupo de vestuário, a deflação foi de 0,80%, com destaques para a diminuição de preço de sapatos femininos (-3%), blusas femininas (-2,8%) e bermudas masculinas (-3%).

Fonte: Nossos parceiros