As ações da China Vanke abriram em queda nesta segunda-feira (15) após detentores de títulos rejeitarem a proposta da incorporadora, apoiada pelo Estado, de estender o prazo de vencimento de sua dívida, aumentando a incerteza sobre o futuro da companhia.

Os papéis da Vanke listados em Shenzhen recuaram 2,4% na abertura, enquanto as ações negociadas em Hong Kong despencaram 5,4%. Os títulos da empresa registrados em Shenzhen também caíram, sendo negociados em torno de 20 yuans para cada valor de face de 100 yuans.

Um título de três anos no valor de 2 bilhões de yuans (US$ 283 milhões), com cupom de 3%, vence nesta segunda-feira (15). O banco responsável pela administração do papel apresentou três propostas em uma assembleia realizada na semana passada, todas prevendo a extensão do prazo de pagamento por 12 meses.

O resultado da reunião mostrou que nenhuma das propostas atingiu o quórum mínimo de 90% necessário para aprovação, embora uma delas, que incluía medidas adicionais de reforço de crédito, tenha obtido apoio de 83,4% dos credores.

Com a rejeição, a Vanke entrou em um período de carência de cinco dias para quitar integralmente o principal e os juros. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a incorporadora informou que convocará uma nova assembleia para tentar negociar um acordo referente a essa emissão de títulos.

A dificuldade, no entanto, amplia as preocupações em torno de outra assembleia de credores marcada para 22 de dezembro, que discutirá um título de 3,7 bilhões de yuans com vencimento em 28 de dezembro. O episódio lança mais uma sombra sobre o setor imobiliário chinês, que enfrenta uma crise prolongada há vários anos.

Dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Escritório Nacional de Estatísticas mostram que os preços de imóveis novos caíram na comparação anual em novembro em 64 das 70 cidades monitoradas. Os preços de imóveis usados recuaram em todas as 70 cidades. As dificuldades financeiras da Vanke evidenciam a profundidade da crise no setor, com os preços continuando em queda apesar das promessas oficiais de adotar medidas para “estancar o declínio”.

Embora outras grandes incorporadoras já tenham dado calote em suas dívidas externas, a proposta apresentada pela Vanke no mês passado surpreendeu investidores. O motivo é que seu maior acionista é o grupo estatal Shenzhen Metro, operador do metrô local, o que vinha sendo interpretado como sinal de forte apoio governamental.

“Esta é a primeira vez que um título doméstico enfrenta esse tipo de problema, o que marca um novo ponto de inflexão na China”, afirmou Kelvin Lam, economista para a China da Pantheon Macroeconomics. Segundo ele, a percepção de que investir em ativos chineses implica respaldo automático do governo “já não corresponde mais à realidade”.

Lam acrescentou que investidores terão de incorporar esse prêmio de risco em suas decisões, “porque agora é mais provável que o governo não intervenha, nem mesmo em favor de incorporadoras consideradas emblemáticas”.

Fonte: Nossos parceiros