O Grupo Sony anunciou na terça-feira que irá separar sua divisão de TVs e transferi-la para uma nova joint venture com a chinesa TCL Electronics Holdings, em uma grande reestruturação de suas operações de entretenimento doméstico.

De acordo com o plano, a TCL deterá 51% das ações e a Sony Corp., principal unidade de eletrônicos do Grupo Sony, 49%. A nova empresa será responsável por toda a operação global, desde o desenvolvimento e design de produtos até a fabricação, vendas e logística de TVs e equipamentos de áudio domésticos. A expectativa é que a joint venture opere globalmente e utilize as marcas Sony e Bravia.

As empresas pretendem finalizar os acordos definitivos e vinculativos até março, com a nova empresa planejando iniciar suas operações em abril de 2027, sujeita a aprovações regulatórias e outras condições.

A medida ocorre em um momento de intensificação da concorrência no mercado global de televisores, mesmo com a crescente demanda por telas maiores e de maior resolução, impulsionada pelo crescimento dos serviços de streaming.

Fabricantes chineses como TCL, Hisense e Xiaomi têm se expandido agressivamente no exterior, utilizando escala e eficiência de custos para ganhar participação de mercado.

O crescimento mais lento em mercados maduros intensificou a competição de preços, comprimindo as margens de lucro de marcas japonesas e sul-coreanas já estabelecidas. Isso forçou muitas empresas a repensarem seus modelos de negócios e reestruturarem suas operações para se manterem competitivas.

Fabricantes japoneses, que antes dominavam o mercado global de TVs, têm se retirado gradualmente do setor à medida que a concorrência se intensificou e as margens de lucro despencaram. A Sharp passou para o controle da Foxconn, em 2016, após dificuldades com seu negócio de televisores, enquanto a Toshiba vendeu sua unidade de TVs para a chinesa Hisense em 2018.

A Hitachi retirou-se do mercado de TVs na China em 2018. A Panasonic também decidiu reduzir sua produção de TVs, encerrando as fábricas no Japão, Índia, Vietnã e Brasil em 2021 e na Europa em 2022.

Nos últimos anos, a Sony vem se reinventando, passando de uma fabricante tradicional de eletrônicos para uma potência global em entretenimento e conteúdo, à medida que as margens de lucro do hardware sofrem pressão, alavancando sua propriedade intelectual em jogos, filmes e plataformas de streaming para impulsionar o crescimento.

Os negócios de televisores e áudio doméstico do grupo japonês estão encolhendo, com a receita do segmento de displays, incluindo TVs e projetores domésticos, caindo 10%, para 597 bilhões de ienes (US$ 3,8 bilhões) no ano fiscal encerrado em março de 2025. A fragilidade também impactou as vendas e o lucro operacional da divisão de eletrônicos da Sony no período de abril a setembro.

Em contrapartida, a Sony intensificou os investimentos em direitos autorais musicais e catálogos de artistas, expandindo sua presença em animes e propriedade intelectual de personagens. No ano passado, adquiriu participação na Bandai Namco Holdings para fortalecer a colaboração em jogos, animações e franquias de entretenimento.

“Ao combinar a expertise de ambas as empresas, buscamos criar novo valor para o cliente no setor de entretenimento doméstico, oferecendo experiências audiovisuais ainda mais envolventes para clientes em todo o mundo”, afirmou Kimio Maki, executivo-chefe (CEO) da Sony Corp., em comunicado divulgado na terça-feira.

A TCL Electronics, listada na Bolsa de Valores de Hong Kong e parte do grupo chinês TCL Technology Group, é uma empresa de eletrônicos de consumo focada em displays e negócios relacionados à internet. Sua presidente, Du Juan, afirmou que a parceria combinaria os pontos fortes da Sony e da TCL para criar “uma plataforma poderosa para o crescimento sustentável”.

Fonte: Nossos parceiros