Um estudo feito pela consultoria Aurora Energy Research, encomendado pela Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absolutamente)mostrou que sistemas de armazenamento de energia têm custo sistêmico menor e são mais eficientes do que usinas termelétricas a gás natural para atuar como ativos de reserva de capacidade no Brasil.
O levantamento foi apresentado ao mercado em evento em São Paulo, promovido pelo portal de notícias MegaWhat. O relatório projeta que, até 2045, será necessário adicionar cerca de 47 gigawatts (GW) de capacidade firme para assegurar o suprimento do sistema elétrico, cenário em que o armazenamento de energia pode ter papel decisivo na segurança do sistema.
O estudo avaliou dois cenários principais para comparar baterias e termelétricas a gás. No cenário 1, cada tecnologia opera de forma independente, seguindo as regras atuais dos leilões: as baterias realizam despacho otimizado, com pouco mais de 9.600 horas de operação em 15 anos, enquanto as térmicas entram em operação em torno de 1.800 horas, com alto custo de despacho.
Nesse arranjo, as baterias se mostraram mais econômicas. No cenário 2, as baterias e térmicas operam de forma sincronizada, permitindo comparar diretamente o custo de suprimento de cada tecnologia em perfis idênticos de despacho. Nessa simulação, os resultados foram ainda mais expressivos em relação à economia dos sistemas de armazenamento.
De acordo com o relatório, o custo total das baterias para o sistema é entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4,6 bilhões por GW inferior ao das termelétricas com Custo Variável Unitário (CVU) base, podendo chegar chegar a R$ 11,2 bilhões por GW quando comparado às térmicas com CVU máximo, como as do último leilão de capacidade.
O relatório também aponta benefícios com receita adicional por meio do carregamento e descarregamento, ao contrário das térmicas, cujo custo de despacho é variável.
Rodrigo Borges, diretor-geral da consultoria Aurora, afirma que sistemas de armazenamento têm um papel fundamental e poderiam solucionar os problemas de cortes de energia impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conhecidos pelo termo “curtailment”, modulando o volume de energia para momentos de maior necessidade de potência, que costumam ocorrer entre 18h e 21h.
“Além de mitigar os riscos do ‘curtailment’, as baterias têm flexibilidade de locação, oferecem serviços ancilares (atividades de apoio à operação do sistema) e contribuem para a descarbonização ao integrar energias renováveis, além do que, o avanço tecnológico deste segmento está em queda”, afirma o especialista.
Hoje, a realidade brasileira aponta para um paradoxo: no meio do dia, quando o sol está no pico, há energia de sobra no sistema elétrico brasileiro. Contudo, parte dessa energia não é aproveitada. Horas depois, no fim da tarde, o cenário muda quando a geração solar desaparece com o pôr do sol, mas o consumo de energia aumenta.
A solução encontrada é acionar usinas térmicas — muitas delas movidas a gás ou óleo diesel, com custo elevado e maior emissão de poluentes. Essa crescente demanda por potência para atender à demanda exige leilões de reserva de capacidade, que deveriam ter acontecido este ano, mas devem ficar para 2026.
Risco real de apagão em 2027
O ONS já alerta para necessidade real de capacidade já em 2027 sob risco real de apagão. O blecaute poderia ocorrer pela sobreoferta de energia durante o dia e também pela dificuldade de atender à demanda, especialmente em horários de pico da noite.
“O prazo de construção de novas termelétricas simplesmente não acompanha a urgência da demanda por potência. Podemos recorrer às térmicas existentes, mas isso significaria custos elevados e maior emissão de poluentes. As baterias, por outro lado, oferecem uma alternativa mais rápida, eficiente e competitiva”, afirma o presidente da Absae, Markus Vlasits.
Num eventual leilão que contemple baterias, como o Ministério de Minas e Energia (MME) tem prometido, gigantes do setor, como Weg, micropower, UCB Power, Huawei, Mouraentre outras, dizem estar prontas para atender à demanda.
Soma-se a ausência de regulamentação de baterias no Brasil, assunto que já está em pauta na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para criar um ambiente de negócios favorável e adaptado às particularidades da rede brasileira.
Fonte: Nossos parceiros
