Se havia um intenso debate no mercado sobre quando o cenário eleitoral começaria, de fato, a provocar alterações importantes nos preços dos ativos financeiros domésticos, o anúncio da pré-candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antecipou a preocupação com as eleições já para o quarto trimestre de 2025. É o que revela a pesquisa pré-Copom feita pela EXP Investimentos. Por outro lado, com o aumento da volatilidade, o início do ciclo de cortes em janeiro já é visto com ceticismo por agentes financeiros.

De acordo com levantamento publicado pela XP, aproximadamente 30% de 90 investidores institucionais consultados acreditam que as eleições do ano que vem devem se tornar o principal catalisador para a movimentação dos ativos locais já no quarto trimestre deste ano. O número representa um salto importante desde a última edição, quando apenas 2% dos agentes viam o cenário eleitoral impactando os preços dos ativos ainda em 2025.

Vale apontar que as respostas foram coletadas entre os dias 5 e 8 de dezembro, período posterior ao anúncio da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, aproximadamente 65% dos respondentes esperam que o início do ciclo de cortes na Selic ocorra apenas na reunião de março. O número — também pela data em que a amostra foi coletada — difere do resultado da pesquisa pré-Copom realizada pelo Valentiaem que apenas 44% dos entrevistados esperavam cortes na Selic na reunião de março ou depois.

Ao mesmo tempo, instituições financeiras também passaram, nos últimos dias, a manifestar ceticismo com a possibilidade de o Banco Central iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em janeiro.

“Nesse contexto, a decisão do BC amanhã ganhou um significado adicional. O Comitê tem todos os incentivos para manter ou reforçar seu tom ‘hawkish’ e evitar vacilar no início do próximo ciclo, como forma de proteger a moeda. Juntamente com o posicionamento ainda carregado, isso deixa as taxas dos juros futuros — especialmente as de curto prazo até o médio prazo — como os ativos mais vulneráveis”, aponta o estrategista de uma grande instituição financeira.

O profissional da tesouraria de um banco resume a sexta-feira (do anúncio de Flávio Bolsonaro) como o adiamento de tudo o que o mercado pensava estar decidido. “O rali padrão de fim de ano que esperávamos parece ter desaparecido. Além do sentimento, o que realmente importa para mim é que o corte de janeiro está fora de questão. É claro que ainda estamos longe da reunião que realmente importa, mas minha opinião pessoal é de que a barra está alta e o Copom dirá que a porta continua fechada”, aponta.

“Ninguém estava prevendo volatilidade, então todos foram pegos de surpresa, inclusive eu. O roteiro agora está claro: o BC não deve aumentar a volatilidade e a taxa Selic é nossa única âncora cambial. Dado que a incerteza pode ser enorme, uma decisão ‘hawkish’ é justa no cenário atual”, conclui.

Fonte: Nossos parceiros